As Festas de Final do Ano em Sabojiú – Por Paulo Leboutte

by luciouberdan on 26/12/2009 · 0 comments

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Notícias de Sabojiú Por Paulo Leboutte

Pois é gente boa, final de ano é muito agitado aqui em Sabojiú. As empresas, as corporações e as comunidades realizam seus encontros de balanço e comemoração do ano que está acabando. Nem dá para atender a todos os convites. Alguns, inclusive, são no mesmo dia e horário. Resolvi ir na semana que vem ao balanço da Coopercronos, onde estou trabalhando, e ao balanço da Associação dos Moradores do Brás, bairro onde estou morando. Este foi ontem.

Na entrada recebemos os documentos com o demonstrativo da aplicação de todos os recursos repassados pelo governo para que a administração comunitária utilizasse, conforme determinação do orçamento público votado na assembléia local que ocorreu no início do ano. De forma geral, foram recursos para manutenção ou consertos nos aparelhos públicos. A maior despesa de 2009, aqui no Brás, foi uma boa reforma, quase uma completa substituição da fiação elétrica da escola técnica do bairro. A menor despesa foi com a pintura dos aparelhos da Praça do Martelo. Cada despesa é acompahada da identificação da empresa que realizou o trabalho.

Enquanto não começava o evento aproveitei para perguntar ao Ernesto:

- Tenho visto poucas manifestações referentes ao Natal, tanto nas casas das pessoas como no comércio. No Brasil, é uma data que envolve todo mundo.

- Natal. Nascimento. A festa que lembra o nascimento de Jesus Cristo e que, por isto mesmo, é intensamente comemorada pelos cristãos?

- Sim.

- A data que foi aproveitada pelos comerciantes americanos no início do século XX para incrementar suas vendas, introduzindo o hábito de presentear, fazendo alusãusartelos aparelhos da Praça da. tinpta sergo secreto.a e a misdos do so aos Reis Magos?

- Esta mesmo.

- Pois, se você prestar atenção, Leboutte, verá que os cristãos que vivem aqui em Sabojiú também comemoram muito o Natal. Eu mesmo recebi três convites de amigos cristãos para participar da ceia de natal em suas casas na noite do dia 24. Optei por ir no jantar do Romeu e da Julieta. Casaram no começo do ano, lembra? Aliás, você também está convidado. Esqueci de te falar.

- Mas é interessante o espírito de solidariedade que acompanha esta comemoração. As pessoas presenteiam-se, recolhem brinquedos e donativos que são distribuídos para os pobres …

- Opa, Leboutte! Estás confundindo solidariedade com caridade.

- Mas, não é a mesma coisa?

- Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. Solidariedade é uma relação de cooperação entre iguais. É uma relação horizontal. Ombro a ombro. Solidariedade tem caráter de troca, pressupõe reciprocidade. É um valor social. Caridade é a terceira das virtudes cristãs que demonstra o amor a Deus e ao próximo. É uma relação de cima para baixo, de quem tem para quem não tem. Via única. É um valor religioso. Solidariedade com os pobres só se justificaria se fosse para livrá-los da pobreza. Se fosse para alterar as estruturas que promovem a pobreza e a miséria, promovendo sua independência, autonomia e liberdade. O ideal seria ninguém necessitar de caridade, né?

- Pô, Ernesto, não precisava radicalizar.

- Eu não radicalizei, somente dei minha opinião. Respeito profundamente a fé dos cristãos e das cristãs, assim como todas as outras manifestações religiosas. Tanto que o Romeu, que é católico, nos convidou para sua ceia. E, se você for, não esquece de levar um presente. Um presente que sirva para qualquer pessoa. Vai ter amigo secreto e o “sorteio dos amigos” será na hora.

- Agora me diz uma coisa, aqui em Sabojiú não tem uma data que envolva a grande maioria da sociedade? Uma data em que as pessoas se confraternizem? Um dia de festa, de comemoração da vida?

- Óbvio que tem. É o 1º de Maio. Outra data bastante comemorada aqui é a virada do ano. Você vai ver na semana que vem. É a hora dos “balanços pessoais”.

Neste momento a presidenta da Associação dos Moradores do Brás abre os trabalhos garantindo que a festa será um arraso e abre inscrições para algum morador ou moradora que se proponha a coordenar a seção de apresentação do balanço anual das realizações da Associação. A Amélia da Cooperpão foi indicada, sob aplausos da turma da padaria, para coordenar a reunião. Como não houve oposição à proposta, iniciou o balanço.

A festa, realmente foi muito boa. Mas não preciso contar os detalhes para vocês. Em qualquer lugar, festa é festa.

Vamos aos falando.

Mudando de assunto, estou convencido de que quem qualificava o Brasil como o país do futuro tinha razão. Eu só não sabia que eu iria ver aquele dito futuro. A estagnação a que os entreguistas neoliberais submeteram nosso pais até 2002 faziam crer que o tal futuro nunca chegaria.

Pois bem, sete anos depois de encerrar o maldito mandato do príncipe poliglota tucano (o Cardoso), pudemos assistir com orgulho, no COP 15, aquela cena do Lula caminhando com o Sarkozy em direção a uma reunião para enquadrar diversos chefes de estado presentes à Conferência,  no sentido de sensibilizá-los a levarem a sério o encontro. A reunião que varou a madrugada, não surtiu os efeitos necessários porque alguns poderosos não estavam lá para isso (o discurso imperial e arrogante do Obama que o diga), mas, a desenvoltura do nosso representante mor foi para deixar qualquer brasileiro e brasileira com muito orgulho.

Acho que não entraremos para a História como o movimento político que implantou o socialismo no Brasil, mas que implantou no país uma verdadeira república moderna, contrapondo-se à histórica república de bananas. É pouco?

Abraços.

Sorte na Luta!

PAULO LEBOUTTE é gaúcho de Canoas, sindicalista e com longa história no Sindipolo e na CUT Metropolitana de Porto Alegre. Em 1998 ajuda na implementação das políticas de Economia Solidária na gestão Olívio e Rosseto/PT. Em 2003 integra a equipe da ITCP no Rio de Janeiro, e em 2005 assume o projeto Etnodesenvolvimento Econômico Solidário das Comunidades Quilombolas da Secretaria Nacional de Economia Solidária. Exímio e observador viajante, Leboutte cultiva fortes laços com o  Les Alternatifs Francês e atualmente encontra-se em Sabojiú – o lugar mais avançado em autogestão que existe no mundo. De lá, Leboutte escreve ao Brasil Autogestionário contando como organiza-se social e economicamente o lugar onde a autogestão é a base da organização da sociedade. Acompanhe “Notícias de Sabojiú” Por Paulo Leboutte , aos sábados ou clicando AQUI.

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