César Benjamin, economista, ex-militante de esquerda, ex-PT, ex-Psol, e colunista da Folha de São Paulo.
O que falar do recente artigo de César Benjamin na Folha de São Paulo (27/11) eu sinceramente não sei, mas deixar de comentar essa questão me parece tão absurdo que aqui estou eu escrevendo. Que validade tem o artigo de César Benjamin e como medir as verdades e as mentiras que encontram-se no artigo é uma tarefa impossível, sobre o fato em sí, que envolve o presidente, ressalta-se que das quatro ou cinco pessoas que estavam nesse momento das possíveis “confidências” de Lula, só Benjamin sustenta a confissão.
Como cidadão comum que não tem como responder a questão acima, fico preocupado com outras que me parecem mais importantes, o que fez César Benjamin escrever esse artigo denunciando Lula 15 anos depois na Folha de São Paulo? Debater as motivações de Benjamin é o que importa, entender o que esta por trás de um golpe tão baixo é o centro da questão.
Primeiro é importante registrar que Benjamin é apenas funcional para algo maior, um instrumento numa lógica complexa que desenrola-se a anos com a perspectiva de desacreditar a pessoa do “Lula” e do Partido dos Trabalhadores (PT), e que tende a aumentar novamente com a aproximação eleitoral, a dias atrás foi Caetano Veloso chamando Lula de ignorante e analfabeto, agora é Benjamin, daqui a duas semanas quem será? Não sabemos, mas vai ter alguém, e de preferência na Folha de São Paulo.
A Segunda questão essencial a ser ponderada é a auto-reflexão que César Benjamin faz, quase todo seu artigo é sobre os momentos em que ele esteve preso na ditadura, a descrição que faz de seus anos preso é digno de uma cruzada cristã, jovem idealista e profeta, puro e evangelizador. César Benjamin descreve seguidamente as situações de apuros que passou, junto a bandidos comuns, facínoras que poderiam lhe molestar na cadeia, mas que não faziam, mesmo sendo bandidos comuns guardavam certa dignidade que aparentemente brotava frente a ele, que iria mais adiante dar aulas, escrever cartas e integrar-se a vida dos demais presidiários como um líder, fechando assim o ciclo de sua evangelização. Benjamin tenta com essas descrições, para além de aparecer como um salvador, sugerir que Lula seria um humano pior que aqueles presos “comuns” que ele encontrou nas cadeias desse país.
A terceira essencial questão é a contradição de Benjamin abordar o tema ditadura nas páginas da Folha de São Paulo, jornal que apoiou o golpe militar, e tempos atrás alegou em seu editorial que tivemos no Brasil não uma ditadura, mas sim uma “ditabranda”. Benjamin usando de suporte as páginas da Folha, e logo após dando entrevista a revista Veja via Reinaldo Azevedo, além de tornar mais aguda sua contradição, demonstra claramente seu papel funcional e serviçal na política. Benjamin caiu no ostracismo político após ter sido candidato a vice-presidente na chapa de Heloísa Helena (PSOL), agora rasga a única coisa que ainda tinha, o seu passado de militante político. Com o recente relato descrito no Jornal da Ditadura, em troca do que afinal não se sabe, além da exposição na mídia e parcos reais de colunista (?) da Folha.
Por fim a Folha de São Paulo a incitar esse artigo demonstra-se mais uma vez de forma clara como Partido da Impressa Golpista, é o jornal não de Serra, FHC e os Demos, mas sim de sí mesmo, jornal que junto a mais uma meia dúzia dão tom e os argumentos para a direita mais facínora e homofóbica desse país “operar”, Benjamin é um serviçal irrelevante, que serviu ao propósito do momento, a esse paga-se a miséria pedida e pronto, porem a Folha e a elite desse país prosseguem sem escrúpulos, miseráveis para escreverem artigos não faltarão, e virão com certeza, o fundo do poço esta longe de ser visto ainda, resta-nos apenas saber se Lula, o PT e o Governo vão reagir, vão levar o debate a público e para sociedade, ou permanecerão achando que tudo nesse mundo concilia-se e deixa-se nos círculos internos.
Leia também: César Benjamim e o rei do Senegal de Antonio Pereira no blog do Nassif.
Obs: Um bom começo é parar com as publicidades oficiais na Folha de São Paulo, um jornal que libera o recente artigo, não merece encher as burras com dinheiro público, uma pena que falta coragem ao governo para isso.
LUCIO UBERDAN, 35 anos, é do Coletivo Brasil Autogestionário, natural de Pelotas, ativista da Economia Solidária, coordenou o departamento municipal de Ecosol da Prefeitura de Pelotas em 2001/2002; foi fundador/diretor da Associação do Trabalho e Economia Solidária até 2007; compõem a executiva do Fórum Gaúcho de Economia Popular e Solidária – FGEPS e coordena a Setorial Estadual de Economia Solidária do Partido dos Trabalhadores no Rio Grande do Sul.
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Excelente definição do Lucio sobre o que representa esse sujeito. Infelizmente casos como este não são novidade. Alguém já disse que o pior direitista, se é que existe algum bom direitista, são aqueles ex-comunistas. Quem não lembra do jornalista Paulo Francis, ex-trotskista que se transformou no mais impedernido e radical direitoso do país com seus comentários diários com doses cavalares de homofobia, racismo, preconceitos, ou seja, o discurso padrão da direita. Agora esse modelo volta na figura deprimente de César Benjamim, comprado por algumas moedas para chafurdar no fundo lamacento e podre em que está afundado o PIG. Não será surpresa se esse sujeito aparecer como colunista da Zero Hora, fazendo companhia a próceres como Percival Pugina et caterva, membro notório da direita guasca.
A descrição que o “Cesinha” faz da situação se encaixa como uma luva no perfil que conhecemos de nosso amado líder. Certamente Lula estava “mamado” na ocasião, soltando o verbo sem nenhum enfeite (“in vino, veritas”). Em suma: o caso tem forte odor de veracidade. Agora, aos que quiserem continuar com a cabeça enfiada em um buraco: tomem cuidade, pois se Lula chegar por trás…
Lula também declarou em campanha do PT em Pelotas, publicamente: “Pelotas é um grande polo exportador de viados”. Coincidentemente o Lúcio é de Pelotas. Com a palavra os cidadãos de Pelotas.
Caro Francisco,
Muito boa a tirada, ainda que sejam assuntos extremamente diferentes, e, eu também não ser “natural” de Pelotas hehehe.
Abraço, obrigado pela visita.