Economia Solidária como luta de classe na prova do ENEM 2009.

by luciouberdan on 30/07/2009 · 0 comments

in Educação, Universidades

Brasília - O ministro da Educação, Fernando Haddad, se reúne com representantes do comitê de governança da Andifes, Conif e Consed, para discutir implementação do novo Enem, mudanças no ensino médio, autonomia universitária e reestruturação dos hospitais universitários Foto: Elza Fiúza/ABr

Brasília - O ministro da Educação, Fernando Haddad, se reúne com representantes do comitê de governança da Andifes, Conif e Consed, para discutir implementação do novo Enem, mudanças no ensino médio, autonomia universitária e reestruturação dos hospitais universitários Foto: Elza Fiúza/AB

O Ministério da Educação-MEC divulgou ontem as novas provas do ENEM 2009, são 40 questões que vão substituir os já conhecidos vestibulares universitários. O caderno simulado que foi divulgado e já pode ser acessado, tem na questão 8 o tema da Economia Solidária.

Usando de Paul Singer como base teórica, a questão traz para o debate o profundo elemento da luta de classes anti-capitalista, a emancipação econômica dos(as) trabalhadores(as), a propriedade do trabalho e dos meios de produção.

Felicitamos o MEC pela coragem e clareza em abordar o tema, colocando a tensão entre Capital X Trabalho como o ponto central, sem rodeios “alternativos” e vacilos.

Abaixo a questão 8 da prova:

Questão 8 – A economia solidária foi criada por operários, no início do capitalismo industrial, como resposta à pobreza e ao desemprego que resultavam da utilização das máquinas, no início do século XIX. Com a criação de cooperativas (de produção, de prestação de serviços, de comercialização ou de crédito), os trabalhadores buscavam independência econômica e capacidade de controlar as novas tecnologias, colocando-as a serviço de todos os membros da empresa. Essa ideia persistiu e se espalhou: da reciclagem ao microcrédito, já existem milhares de empreendimentos desse tipo hoje em dia, em várias partes do mundo. Na economia solidária, todos os que trabalham são proprietários da empresa. Trata-se da possibilidade de uma empresa sem divisão entre patrão e empregados, sem busca exclusiva pelo lucro e mais apoiada na qualidade do que na quantidade de trabalho, em convivência com a economia de mercado.

SINGER, Paul. A recente ressurreição da economia solidária no Brasil. Disponível em: <http://www.cultura.ufpa.br/itcpes/documentos/ecosolv2.pdf>. Acesso em: 23 mar. 2009. (com adaptações).

A economia solidária, no âmbito da sociedade capitalista, institui complexas relações sociais, demonstrando que:

(A)   a fraternidade entre patrões e empregados, comum no cooperativismo, tem gerado soluções criativas para o desemprego desde o início do capitalismo.
(B)   a rejeição ao uso de novas tecnologias torna a empresa solidária mais ecologicamente sustentável que os empreendimentos capitalistas tradicionais.
(C)   a prosperidade do cooperativismo, assim como a da pirataria e das formas de economia informal, resulta dos benefícios do não pagamento de impostos.
(D)   as contradições inerentes ao sistema podem resultar em formas alternativas de produção.
(E)   o modelo de cooperativismo dos regimes comunistas e socialistas representa uma alternativa econômica adequada ao capitalismo.

Acesse o Caderno na íntegra clicando AQUI.

Notícia do MEC:  Questões-modelo do novo exame nacional já estão disponíveis

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