Entrevista com AMELIA ANDERSDOTTER, EURO – Deputada do Partido Pirata da Suécia.

by luciouberdan on 28/07/2009 · 5 comments

in Conhecimento Livre

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Os piratas desembarcaram na política. Amélia Andersdotter, estudante de economia, é a número dois do Partido Pirata sueco que nas eleições Européias de junho passado conseguiu uma cadeira ao obter 7,1% dos votos suecos (mais de 200 mil votos).

Os objetivos políticos do partido, fundado a três anos, são claros: mudar a legislação sobre os direitos autorais, eliminar o sistema de patentes e fomentar políticas de privacidade e de direitos civis no mundo digital.

“No futuro haverá mais cultura de participação política na internet e sobretudo, cada vez mais especializada”, adverte Amélia, que passou uns dias em Barcelona difundindo seu ideário político nos marcos do programa de pesquisa Virtual European Parliament.

Abaixo publicamos entrevista que Amélia concedeu ao jornal La Vanguardia de Barcelona, publicado também no site www.insurgente.org.

Tradução: Paulo Marques

Porque o nome “Pirata” para o partido?

Amélia: Pirata não é uma palavra inventada por nós mas sim pelas gravadoras e industria cinematográfica que querem estigmatizar o ato de piratear filmes ou música como algo mal . O que nós temos feito é dar um sentido positivo e de rebeldia. Ser pirata não é algo que tenhamos que nos envergonhar. Ao contrário, é muito nobre e se você é pirata está compartilhando a cultura e a informação.

O que fará um Partido Pirata no Parlamento europeu?

Amélia: O que queremos é democratizar os temas  que se debatem na União Européia e também poder mudar determinadas leis.

Como tem sido a experiência do partido até hoje no Parlamento Europeu?

Amélia:Temos aprendido que com perseverança e trabalho duro é possível  começar um debate político construtivo.

Qual tem sido a postura dos outros partidos sobre o tema dos directos autorais?

Amélia: Os Liberais e os Verdes estão a favor de mudar a legislação sobre os direitos autorais, enquanto os democratas cristãos não querem, assim como os moderados e os social democratas,  mas estes estão abertos ao debate.

E qual é sua posição?

Amélia: Tem que ser definida outra vez o direito autoral. Queremos reduzir o tempo de proteção  dos direitos autorais dos mais de 70 anos atuais para cinco. Também queremos eliminar o sistema de patentes e que a internet seja realmente livre, fomentando a difusão de informação e cultura.

Porque o sistema de patentes?

Amélia: No mundo ocidental houve uma orgia de cópias piratas durante o século XIX. Os espanhóis copiaram invenções da Dinamarca, os ingleses da França… todos copiaram um dos outros e sem isso não haviamos nos industrializado. Agora o sistema de patentes se globalizou e está paralizando o desenvolvimento nos países do terceiro mundo. A maioria das patentes não é para proteger o desenvolvimento e a pesquisa mas simplesmente para proteger o direito de ser utilizada a própria patente. Desta maneira, os conhecimentos não chegam à sociedade e cada vez mais proliferam companhias que só vendem e compram patentes sem ter departamentos de pesquisa e desenvolvimento.

Além do Partido Pirata sueco foram criados em outros países partidos deste tipo? Existe acordos internacionais entre as diferentes organizações?

Amélia: Não. Muitos dos partidos políticos são pequenos e não tem muita organização interna. Também temos enfrentado barreiras culturais próprias de cada país.

Você acredita que o Partido Pirata Espanhol possa alcanzar tantos votos como o partido sueco?

Amélia: É difícil. Na Espanha dominam dois grandes partidos políticos e os piratas espanhóis trabalham bem mais nas associações  e não em organizações políticas.

Na Suécia, a diferenta de outros países, a participação nas eleições passadas aumentou especialmente entre os eleitores jovens. A que se deve esse fenômeno?

Amélia: O Partido Pirata não é um movimento isolado e tem sido fundamental porque inspira a muita gente jovem. Outra das chaves é que temos conseguido tratar as questões européias como se fossem temas nacionais.

As redes sociais estão mudando a maneira de fazer política dos jovens?

Amélia: Sim. Os jovens esperam  fazer  parte da política mas também  o impacto das redes sociais  na política está ainda por ser visto e, todavia, não chegou ao seu fim. No futuro haverá mais cultura de participação política na internet  e , sobretudo, mais especializada. Muitos partidos políticos já utilizam Facebook, o Twitter para fomentar a participação mas realmente não são uma comunidade como nós.

De que maneira influiu o Partido Pirata no encerramento em 2006 do portal de intercambio e descarga de arquitos The Pirate Bay?

Amélia: Antes do fechamento do The Pirate Bay éramos 3.000 membros e dois dias depois  esta cifra  dobrou para  6.000. Atualmente somos 48.000 membros sendo o terceiro partido mais numeroso da Suécia.

Além de tentar mudar as leis de propriedade intelectual, não centram seus esforços em promover conteúdos de licença livre e software de código aberto?

Amélia: É um de nossos objetivos políticos mas não tanto a partir da  União Européia mas sim em âmbito  nacional e local. Por exemplo, acreditamos que não existe nenhuma razão para que as escolas ensinem às crianças a utilizar computadores com Windows e criar futuros clientes fiéis deste sistema. Temos muitas pessoas no Partido Pirata dispostos a trabalhar ativamente para assegurar que os governos locais utilizem software de código aberto.

Quais são as expectativas de crescimento do Partido Pirata?

Amélia:Como movimento político seguiremos crescendo com uma base mais ampla de ativistas que serão mais internacionais e haverá mais cooperação entre os distintos membros de cada país.

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1 flávio nigro 16/09/2009 at 16:14

Interessante entrevista. Qual a fonte, exatamente?

2 luciouberdan 16/09/2009 at 16:16

Olá Flávio, a entrevista é a entrevista que Amélia concedeu ao jornal La Vanguardia de Barcelona, publicado no site http://www.insurgente.org, e traduzida pelo nosso camarada Paulo Marques.

Abraço,
Lucio

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