
O magnata Bill Gates, uma das pessoas mais ricas do mundo, dono da Microsoft, empresa produtora do Windows, é provavelmente um dos mais ferrenhos capitalistas do planeta. O seu produto principal, o Windows, vem sendo símbolo de uma época e linhagem muito específica das mutações do capital. Vale citar também que Bill Gates vem investindo muito na agricultura e Petróleo, e claro, na criação de uma fundação para dar conta dos problemas sociais do Planeta, em especial na África.
Bill criou então a fundação(Bill e Melinda Gates Fundation) para amenizar sua imagem (e de seus produtos) e igualmente brincar de ajudar o planeta. A fundação está desenvolvendo inúmeras atividades, uma delas é uma premiação a projetos criativos para o desenvolvimento rural em conjunto com a fundação Ashoka.
Vale lembrar que no Fórum Social Mundial de Nairobi/África, Bill Gates foi alvo de duras críticas pelos movimentos sociais campesinos, sua fundação vem tentando promover uma “revolução verde” na África, a chamada “Aliança para a Revolução Verde na África, na qual pretendem investir US$ 150 milhões. A ação consistiu na distribuição de sementes híbridas, adubos e pesticidas aos agricultores, com o objetivo de aumentar a produtividade das terras“.
A ambientalista Indiana Vandana Shiva, afirmou em Nairobe que “A estratégia de Gates e Rockefeller servirá apenas para tirar totalmente as posses dos agricultores africanos. Seu método é completamente obsoleto (…) A revolução verde na Índia destruiu a terra mais rica do país e, onde antes eram plantadas até 250 variedades de semente, hoje são plantadas apenas três: milho, arroz e algodão” disse Vandana Shiva.
A premiação proposta em contraste com os argumentos de Vandana Shiva, mostram uma contradição(estratégia) típica das instituições “filantrópicas” que vem do setor empresarial, essa premiação proposta pela Fundação Bill e Melinda Gates, mais a Fundação Ashoka, é um claro exemplo de como o sistema cria formas de coptar a criatividade da sociedade. As fundações ligadas a grandes empresas capitalistas(por vezes poluidoras) tem se proliferado pelo mundo com um discurso de sustentabilidade.
Os projetos concorrentes são alternativas geradas nos movimentos sociais, forjadas na luta dos trabalhadores(as) em sobreviver nessa sociedade injusta que convencionamos chamar de Capitalista, sociedade a qual Bill Gates e sua Microsoft são grandes defensores e entusiastas.
Nota 1: Admiro os projetos inscritos, em especial os do Brasil, ainda que ache uma contradição participarem dessa gincana do capital;
Nota 2: Alguns dias atrás já tinha feito um rápido comentário sobre esse tema: “Existiriam contradições na parceira entre a Sociedade Civil organizada e o grande capital?” Por Lucio Uberdan
Nota 3: Lembram o que foi a revolução verde no Brasil?
LUCIO UBERDAN, 35 anos, é do Coletivo Brasil Autogestionário, natural de Pelotas, ativista da Economia Solidária, coordenou o departamento municipal de Ecosol da Prefeitura de Pelotas em 2001/2002; foi fundador/diretor da Associação do Trabalho e Economia Solidária até 2007; compõem a executiva do Fórum Gaúcho de Economia Popular e Solidária – FGEPS e coordena a Setorial Estadual de Economia Solidária do Partido dos Trabalhadores no Rio Grande do Sul. Mais informações em O Coletivo. Para ler mais posts de Lucio Uberdan clique AQUI ou em Lucio Uberdan na segunda coluna fixa a direita, em Coletivo Brasil Autogestionário.
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