
Imagem: Cartaz As Trabalhadoras(1930) de Valentina Kulagina, artista Russa expoente do Suprematismo.
“A Economia Solidária e os partidos de esquerda no Brasil”
Por Paulo Marques
“En la lucha de clases todas las armas son buenas, piedras, noches, poemas” Paulo Leminski
Esse breve artigo tem o objetivo de discutir uma questão pouco analisada nos estudos até então realizados sobre a Economia Solidária no Brasil, qual seja o significado que os partidos de esquerda têm para a Economia dos(as) trabalhadores(as)/Economia Solidária e de igual forma o significado deste movimento emergente para os programas e ações destes partidos.
Na presente análise buscamos estimular e contribuir com este debate que é fundamental tanto para o movimento da Economia Solidária como para os partidos de esquerda. Partimos de duas premissas que sustentam essa afirmação. A primeira é a compreensão da emergência da Economia Solidária como um movimento social contemporâneo de novo tipo. A segunda premissa é o entendimento de que o avanço desse movimento, para além de uma prática de caráter “assistencial” ou “reformista” e sua consequente constituição como ação coletiva anti-sistêmica, com capacidade de antagonizar o modo de produção dominante e disputar a hegemonia na sociedade, requer uma acumulação de forças que passa pela articulação orgânica com os movimentos sociais e partidos de orientação socialista. Transformando assim a prática autogestionária dos trabalhadores e trabalhadoras em projeto alternativo de um novo modo de produção e de sociabilidade.
A partir dessas premissas avançamos para a compreensão da necessidade de assimilação por parte dos partidos de esquerda dos temas da Economia dos(as) trabalhadores(as)/Economia Solidária/Autogestão como elementos estratégicos para a renovação do projeto socialista.
A articulação orgânica dos partidos de esquerda com o campo da Economia solidária torna-se estratégica para a constituição de um novo Bloco Histórico com capacidade de disputa de hegemonia na medida em que essa prática econômica envolve hoje milhares de homens e mulheres nos mais diversos setores econômicos, no meio rural e urbano constituindo uma força em potencial que criou seus próprios espaços organizativos-políticos como fóruns e redes com uma significativa capilaridade e diversidade de atores sociais como nenhum outro na atual conjuntura.
Baixe o artigo na íntegra clicando AQUI.
PAULO MARQUES, 35 anos, é do coletivo Brasil Autogestionário, natural de Porto Alegre, pesquisador e militante da Economia Solidária, foi coordenador de Centro Regional de Desenvolvimento, Trabalho e Renda da Região Metropolitana de Porto Alegre- CRDTR, durante o governo Olívio Dutra (1999-2002); foi Secretário do Trabalho da prefeitura de Alvorada gestão (2000-2004), onde coordenou o programa de Economia Solidária do município; foi integrante da Rede Nacional de Gestores de Economia Solidária (2004); coordenou o programa Brasil Local/RS ( 2006-2007) e foi integrante da executiva do Fórum Gaúcho de Economia Solidária (2007). Atualmente realiza pesquisa de doutorado na Universidade de Granada/Espanha sobre a organização política dos trabalhadores da Economia Solidária: um estudo comparativo Brasil/Espanha. Mais informações em O Coletivo. Para ler mais posts de Paulo Marques clique AQUI ou em Paulo Marques na segunda coluna fixa a direita, em Coletivo Brasil Autogestionário.
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{ 2 comments… read them below or add one }
Oi Paulo, realmente interessante vc pautar este tema, o artigo pode e deve ser estendido, pq dá pano pra manga. Aliás, os partidos citados tampouco são blocos homogêneos e há divergências internas (entre grupos, tendências etc.) em rel. ao tema e às estratégias em torno da ES.
Para citar o texto: menciono esta pagina mesmo ou havia sido publicado em algum outro lugar?
Abs,
Gabriela Cunha
(gestora governamental SENAES/MTE e doutoranda UnB)
Oi Gabriela,
Concordo com vc os partidos tem especificidades e diferentes posições internas, o que busquei apresentar no post foi um breve panorama de como o tema aparece nos documentos oficiais dos partidos de esquerda (pelo menos os principais). Em 2007 fiz um texto sobre as teses das correntes internas do PT apresentadas no 3 Congresso, também com o foco no tema da Economia Solidária. Está disponivel no site http://www.democraciasocialista.org.br
Quanto a citar o texto pode informar que ele foi feito para este blog mesmo.
Abraços,
Paulo Marques