Jamendo: 20 mil álbuns de música livre, grátis e legal prontos a descarregar.

by luciouberdan on 02/06/2009 · 0 comments

in Conhecimento Livre

Por Miguel Caetano do Remixtures.

Apesar da indústria discográfica alegar que 99 por cento das músicas que se podem encontrar nas redes de partilha de ficheiros serem obras protegidas por direitos de autor, a verdade é que também se pode descarregar via BitTorrent ou eMule dezenas de milhar de álbuns disponibilizados gratuitamente pelos artistas.

A maioria desses discos foram publicados segundo licenças Creative Commons que permitem que qualquer pessoa copie e partilhe as músicas com quem quiser. Um dos sites que agrega um maior número de álbuns da chamada “música livre” é o Jamendo. Na semana passada, o portal baseado no Luxemburgo teve a honra de ser incluído na lista Webware dos 100 melhores sites do mundo de acordo com a CNET, tendo mesmo sido o primeiro classificado na categoria de música.

Ontem, o Jamendo anunciou uma nova proeza: mais de 20 mil álbuns disponibilizados por artistas e bandas de todo o mundo. O feito merece ainda mais destaque pelo facto de ter sido há apenas cerca de 11 meses atrás que o site conseguiu ultrapassar a fasquia dos dez mil álbuns publicados. Mais ainda, o portal demorou três anos até atingir essa meta.

Estes números são um sinal indesmentível de que as grandes editoras, as sociedades de gestão colectiva e outros titulares de direitos estão completamente errados e que não é necessário manter o sistema vigente de direitos de autor para que artistas e bandas continuem a compor e a gravar.

O enorme crescimento do Jamendo demonstra que aqueles profetas da desgraça que adoram passar o tempo a afirmar que a música de qualidade irá desaparecer caso os criadores deixem de ter incentivos financeiros directos da venda dos seus discos estão errados.

Se há alguma coisa que as guerras de feudos entre nichos e sub-estilos musicais nos ensinaram é que o conceito estético de qualidade é subjectivo. O tipo de música que eu aprecio não tem que – e nem sequer deve! – ser o mesmo que o vosso. Hoje em dia, os requisitos financeiros e técnicos necessários para financiar a criatividade são mínimos. Do que um artista precisa é de promover o seu trabalho e dá-lo a conhecer ao grande público

Apenas gostaria que mais e mais artistas passassem a recorrer ao Jamendo e, já agora, que surgissem outras alternativas de modo a impedir uma consolidação da oferta de música livre numa única entidade com fins comerciais.

ACTUALIZAÇÃO (28 de Maio, 17h00): Mais uma vez, o Jamendo demonstrou que está atento à evolução do mercado e decidiu complementar o seu modelo de negócio de música digital gratuita e licenciamento para difusão em estabelecimentos comerciais com a venda de raridades bem como de outros artigos físicos que não podem ser digitalmente reproduzidos. Como se pode ler no blog do serviço, a partir de agora os artistas poderão criar a sua própria loja virtual no Jamendo e vender  CDs autografados, booklets em formato PDF ou edições digitais com qualidade áudio de alta definição.

Alguns comentadores criticaram o facto da empresa passar a cobrar por música em formato digital e apenas permitir a audição de excertos de 30 segundos. Outra crítica é que o formato escolhido parece ter sido o WAV – que é directamente ripado dos CDs – e não o codec lossless FLAC que não provoca qualquer perda de qualidade face ao WAV mas que ocupa metade do tamanho.

Mas apesar das críticas, no seu todo penso que a nova loja virtual do Jamendo constitui uma excelente notícia para os artistas que disponibilizam a sua música no portal de música livre pois a partir de agora poderão contar com uma fonte adicional de receitas, para além dos 50 por cento da publicidade e do dinheiro obtido com as doações.

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