Estimular a geração de renda entre mulheres. É este o tema desta edição da nossa revista, a primeira do ano, e o grande objetivo do Instituto Consulado da Mulher (ICM).
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Entrevista com Paul Singer: a força da Mulher na Economia Solidária
O Instituto Consulado da Mulher conversou com o secretário nacional de Economia Solidário, que falou sobre a situação do movimento no Brasil, os desafios dos empreendimentos solidários e, principalmente, a importância da mulher nessa nova economia.
Bruno Galhardi, do ICM
Em março, o Instituto Consulado da Mulher conversou com Paul Singer, responsável pela Secretaria Nacionai de Economia Solidária (Senaes), órgão vinculado ao Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), do Governo Federal, com o objetivo de elaborar e fomentar políticas públicas de apoio a essa nova proposta, que defende práticas e métodos alternativos da economia tradicional na tarefa de gerar renda. O secretário fala sobre a situação e desafios da Economia Solidária no Brasil, e avalia a participação de empreendimentos formados por mulheres.
*Entrevista publicada na Revista do ICM, edição de março de 2009.
Como está a Economia Solidária no Brasil após a criação da Senaes?
A Economia solidária era mais concentrada e mais homogênea. Com a criação do Fórum Brasileiro de Economia Solidária (FBES) e dos fóruns estaduais, municipais e regionais houve um crescimento da Economia Solidária nas regiões norte, nordeste e centro-oeste do Brasil, com a participação das comunidades indígenas e de quilombolas, por exemplo. Hoje, essas novas culturas trazem uma contribuição por meio dos seus próprios valores.
E, dentro dessa diversidade, como é a participação da mulher na Economia Solidária?
Nós temos um mapeamento da Economia Solidária no Brasil, realizado em 2007. Verificamos uma presença majoritária de homens. É uma surpresa. Porque toda experiência mostra que a presença feminina é, geralmente, muito maior. Mas na cidade. Agora no campo é o oposto. A agricultura e o extrativismo são atividades feitas por uma maioria de homens. E a economia solidária tem uma presença naturalmente forte no campo, já que 44% dos 22.000 empreendimentos mapeados são na área rural. Mas há um erro aí: no campo, a mulher é “escondida”. Na hora de prestar as informações, aparece o homem como chefe de família, falando pela família inteira. Então, provavelmente o número de mulheres que trabalham e produzem é muito maior.
Se a Senaes sabe da grande participação feminina na Economia Solidária, há algum tipo de política voltadas para elas?
É claro que levamos isso em consideração. Nos Centros Públicos, por exemplo, que estamos implantando no país inteiro, 80% do público desses locais é formados por mulheres que costuram, fazem artesanato, e vendem seus produtos nesses espaços. Mas nós não temos uma política de fomentar especificamente cooperativas femininas. É tipicamente o caso do Instituto Consulado da Mulher (ICM). Mas, na verdade, a política inteira da Senaes é uma política feminina. No sentido de que a presença da mulher é muito forte na Economia Solidária.
A Economia Solidária é uma alternativa para a crise mundial?
Sem dúvida. Uma diferença, que a coloca como alternativa, é a parte financeira. Nós estamos construindo um sistema de cooperativas de crédito e por bancos comunitários. Nenhum desses instrumentos de créditos sofre com a crise. A cooperativa de crédito é uma associação de pessoas que juntam as suas poupanças e as usam para suas finalidades individuais e coletivas. E aí não tem especulação alguma e esses entidades não são afetadas por qualquer crise.
Qual o grande desafio dos empreendimentos solidários?
O mapeamento nosso diz que o primeiro desafio para eles é a comercialização e acesso ao mercado. Em outro países, os empreendimentos também esbarram na questão da comercialização. É uma inibição. As pessoas da economia solidária sabem produzir, tem muito orgulho de sua capacidade de produção, mas são muito tímidas para vender, sobretudo quando a(o) cliente é de outra classe social. Temos de dar mais formações, mais escolaridade a essas pessoas, enfim, superar estruturalmente esses problemas. No meio tempo, nós estamos iniciando uma loja virtual no Portal dos Correios e uma rede de lojas para comercializar produtos solidários do Brasil inteiro.
Como você avalia o trabalho do ICM?
Eu diria que qualquer ajuda é bem-vinda. Nós somos um modo de produção oposto ao modo capitalista. Não temos nada contra esse investimento social da marca Consul. Não é a solução de todos os problemas. Mas, na medida em que grandes empresas usam uma parte dos seus recursos para ajudar jovens em risco, mulheres que precisam ganhar a vida e não tem como, eu só posso apoiar. E sinceramente, dou os parabéns ao ICM, e saibam que vocês tem todo o meu apoio pessoal.
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