Por Marco Aurélio Weissheimer do RSUrgente – Cerca de 700 mulheres da Via Campesina ocuparam na manhã de hoje (9) a fazenda Ana Paula, de propriedade da Votorantim Celulose e Papel (VCP). A ocupação foi iniciada com o corte de eucalipto na área. A ação faz parte da Jornada Nacional de Luta das Mulheres da Via Campesina e pretende denunciar as conseqüências da monocultura do eucalipto na região (desertificação e ameaça à biodiversidade da região que conta com cerca de 3 mil espécies de plantas). Em muitas áreas, diz a Via Campesina, já falta água para o consumo humano e para a criação de animais. A organização cita uma pesquisa da UFRGS, segundo a qual, a monocultura de plantas exóticas na região consumirá 20% mais água do que chove no pampa.
A ocupação também denuncia o envolvimento da VCP em operações de especulação financeira. Uma nota divulgada pela Via Campesina afirma: “Depois de especular contra a moeda brasileira e ter prejuízos com a crise financeira, a VCP recebeu R$ 6,6 bilhões do governo brasileiro para adquirir a Aracruz Celulose, através da compra de metade da carteira do Banco Votorantim e de um empréstimo do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O custo da compra foi de R$ 5,6 bilhões. A VCP havia prometido gerar 30 mil empregos no estado e mesmo recebendo recursos e isenções fiscais dos governos federal, estadual e de municípios, a Aracruz causou a demissão de 1,2 mil trabalhadores em Guaíba, entre trabalhadores temporários e sistemistas, e a VCP outros 2 mil trabalhadores na metade sul. O agronegócio foi o segundo setor que mais demitiu com a crise financeira. Apenas em dezembro, o agronegócio demitiu 134 mil pessoas em todo país”.
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