(Agência Brasil) Brasília – Cerca de 10 mil catadores de papel serão capacitados e receberão apoio técnico por meio de convênio firmado entre a Fundação Banco do Brasil (FBB) e o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Segundo o representante do Movimento Nacional dos Catadores de Material Reciclável, Severino Lima Júnior, a categoria já sofre os efeitos da crise econômica.
“Ela [crise] tem nos afetado de maneira drástica”, disse Severino. No início de novembro, o papel branco era vendido a R$ 0,50 e hoje há cooperativas vendendo a R$ 0,10. “A queda nos preços foi muito grande, sem contar que o consumo diminui e da mesma forma diminui a quantidade de lixo e de resíduos que chegam às mãos dos catadores”, explicou Severino.
O convênio prevê a aplicação de R$ 16 milhões em ações de capacitação em 19 estados até o fim deste ano. As cooperativas deverão elaborar projetos que serão analisados por uma comissão da FBB. Serão, então, escolhidas 19 organizações regionais de catadores para coordenar as ações em cada unidade da federação.
Os cursos serão de 128 horas-aula e abordarão temas como a organização do trabalho, gestão, logística da coleta seletiva e meio ambiente. Haverá ainda assessoria técnica às cooperativas e catadores que mantenham empreendimentos no ramo.
Para o presidente da FBB, Jacques Pena, o segmento dos catadores é um dos mais organizados nacionalmente, e o convênio poderá melhorar a geração de renda desses trabalhadores. “Em cidades médias, os catadores são responsáveis pela captação de um volume significativo dos resíduos sólidos produzidos. Só isso já justificaria o convênio.”
O secretário nacional de Economia Solidária do MTE, Paul Singer, ressaltou que os catadores são importantes para o desenvolvimento sustentável das cidades.
“Eles são os mais excluídos, são pessoas que muitas vezes nem têm casa para morar e vivem de reciclar aquilo que nós jogamos fora. Eles desempenham uma função ecológica absolutamente estratégica. No mundo inteiro, os recicladores fazem parte da vanguarda da luta contra a degeneração dos recursos naturais do planeta”, afirmou.
Severino espera que outros acordos possam ajudar os catadores também com a compra de equipamentos, como prensas e caminhões para o transporte dos resíduos. “A gente está muito acostumado a ver na mídia recurso público que é mal utilizado, mal investido, mas os catadores fazem valer aqueles recursos que são aplicados dentro da cooperativa. A gente faz esse dinheiro valer, porque é uma grande responsabilidade”, afirmou.
Além da capacitação, um dos objetivos do convênio é promover a mobilização dos catadores. Uma organização do segmento em âmbito nacional ficará responsável pelo desenvolvimento de um projeto que inclui a realização de uma conferência para discutir uma política nacional de resíduos sólidos para o país.
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