“CoberturaFSM2009″ Declaração dos Movimentos Sociais em Belém (Economia Solidária RS/Post 237)

by Economia SolidriaRS on 07/02/2009 · 0 comments

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FSM 2009 – Belém: Declaração da Assembléia dos Movimentos Sociais – NÃO VAMOS PAGAR PELA CRISE, QUE A PAGUEM OS RICOS.

Para fazer frente à crise são necessárias alternativas anticapitalistas, antiracistas, antiimperialistas, feministas, ecológicas e socialistas.

Os movimentos sociais do mundo nos reunimos por ocasião da celebração do 9o Fórum Social Mundial (FSM), em Belém, na Amazônia, onde os povos resistem à usurpação da natureza, de seus territórios e de sua cultura.

Estamos na América latina, onde, nas últimas décadas tem se dado o reencontro entre os movimentos sociais e os movimentos indígenas que, a partir de sua cosmovisão, questionam radicalmente o sistema capitalista; e nos últimos anos conheceu lutas sociais muito radicais que conduziram ao derrocamento de governos neoliberais e com o surgimento de governos que têm levado a cabo reformas positivas, como a nacionalização de setores vitais da economia e reformas constitucionais democráticas.

Nesse contexto, os movimentos sociais da América Latina têm atuado de forma acertada: apoiar as medidas positivas que adotam esses governos, mantendo sua independência e sua capacidade de crítica em relação a eles. Essas experiências nos ajudarão a reforçar a firme resistência dos povos contra a política dos governos, das grandes empresas e dos banqueiros que estão descarregando os efeitos dessa crise sobre as costas das/os oprimidas/os.

Atualmente, os movimentos sociais em âmbito planetário enfrentamos um desafio de alcance histórico. A crise capitalista internacional que causa impacto na humanidade se expressa em vários planos: é uma crise alimentar, financeira, econômica, climática, energética, migratória…, de civilização, que vem conjuntamente com a crise da ordem e das estruturas políticas internacionais.

Estamos diante de uma crise global provocada pelo capitalismo que não tem saída dentro desse sistema. Todas as medidas adotadas para sair da crise somente buscam socializar as perdas para assegurar a sobrevivência de um sistema baseado na privatização de setores estratégicos da economia, dos serviços públicos, dos recursos naturais e energéticos, da mercantilização da vida e da exploração do trabalho e da natureza, bem como a transferência de recursos da periferia para o centro e dos trabalhadores/rãs para a classe capitalista.

Esse sistema se rege pela exploração, pela competição exacerbada, pela promoção do interesse privado individual em detrimento do coletivo e pela acumulação frenética de riqueza por parte de um punhado de poderosos. Gera guerras sangrentas, alimenta a xenofobia, o racismo e os extremismos religiosos; agudiza a opressão das mulheres e incrementa a criminalização dos movimentos sociais. No quadro dessa crise, os direitos dos povos são sistematicamente negados.

A selvagem agressão do governo de Israel contra o povo palestino, violando o direito internacional, constitui um crime de guerra, um crime contra a humanidade e um símbolo dessa negação sofrida também por outros povos do mundo.

Para fazer frente a essa crise é necessário ir á raiz dos problemas e avançar o mais rapidamente possível para a construção de uma alternativa radical que erradique o sistema capitalista e a dominação patriarcal.

É necessário construir uma sociedade baseada na satisfação das necessidades sociais e o respeito dos direitos da natureza, bem como na participação popular em um contexto de plenas liberdades políticas. É necessário garantir a vigência de todos os tratados internacionais sobre os direitos civis, políticos, sociais e culturais (individuais e coletivos), que são indivisíveis.

Nesse caminho, temos que lutar, impulsionando a mais ampla mobilização popular por uma série de medidas urgentes, tais como:

* A nacionalização dos bancos sem indenização e sob controle social;
* Redução do tempo de trabalho, sem redução do salário;
* Medidas para garantir a soberania alimentar e energética;
* Por fim às guerras, retirar as tropas de ocupação e desmantelar as bases militares estrangeiras;
* Reconhecer a soberania e a autonomia dos povos, garantindo o direito à autodeterminação;

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