Um blog sobre autogestão e revolução.

Brasil Autogestionário


Ecossocialismo ou barbárie: a armadilha do capitalismo verde ou uma saída para além do capital. 0

Posted on January 27, 2012 by luciouberdan

O pequeno auditório da Faculdade de Engenharia da UFRGS estava lotado para assistir a atividade organizada pela Fundação Rosa Luxemburgo, durante toda a manhã deste segundo dia do Fórum Social Temático.

O tema da atividade  não poderia deixar de ser dos mais instigantes para o debate ” Ecossocialismo ou barbárie : armadilha do capitalismo verde ou uma saída para além do capital”.

 Na mesa de debates estavam  o canadense Pat Mooney considerado como uma autoridade em questões de biodiversidade agrícola e novas tecnologias., trabalha a  mais de 30 anos com organizações da sociedade civil sobre o comércio internacional e questões de desenvolvimento relacionados com aagricultura,e biodiversidade e novas tecnologias. Autor ou co-autor de vários livros sobre a política de biotecnologia e biodiversidade, Pat Mooney recebeu o “Nobel Alternativo” do Parlamento sueco em 1985; ChristopherAguiton da ATTAC França, autor do livro “O mundo nos pertence” e Esther Vivas da Izquierda Anticapitalista de Barcelona, ativista anti-globalização e autora e co-autora de vários livros sobre movimentos sociais, comércio justo

O primeiro painelista o canadense Pat Mooney, que ao se referir a ECO92 disse que aquela cúpula “foi o maior roubo da história” , ele se referia ao  acordo firmado entre governos de países do sul e do norte no qual permitem que toda biodiversidade da América Latina, levada pelos europeus nos últimos 500 anos, pertenceria aos países do norte. Mooney também criticou a ideia de economia verde, levada a cabo pela maioria da organizações que integram a Rio+20. Para ele, “economia verde se trata do controle econômico da natureza”.

Ele ainda afirma que no acordo que vai ser tirado na Rio+20, as empresas vão tomar conta de parte da biodiversidade que agora pode se tornar mercadoria. Mooney explica que o valor comercial do material biológico extraído da natureza atualmente pode ser feita com a biotecnologia. Esse desenvolvimento tecnológico garante, por exemplo, a transformação de celulose tirada das árvores em bioeletricidade, bionergia, plástico e até mesmo comida. Read the rest of this entry →

“Ecos do Fórum Social Mundial em Porto Alegre” Por Esther Vivas 0

Posted on January 27, 2012 by luciouberdan

A última edição do Fórum Social Mundial (FSM), celebrado em Dakar  (Senegal) em janeiro de 2011, começava coincidindo com a marcha forçada de Ben Alí em Túnez e concluía quando no Egito Mubarak era obrigado a abandonar o poder com millhares de  pessoas tomando as ruas. A Primavera árabe era tão só o início de uma inesperada
maré indignada que sacudiu com força o  planeta.

Agora, um ano depois, os ecos do Fórum Social Mundial voltam serem escutados  de novo. De24 a 29 de janeiro se celebraem Porto Alegre (Brasil) o Fórum Social Temático: Crise capitalista, justiça social e ambiental,  que reúne  milhares de ativistas, majoritariamente do Brasil e América Latina.

Se trata do evento mais importante este ano no marco do procedso do Fórum Social Mundial, tendo em conta  que este se celebra uma vez a cada dois anos e que o próximo vai ter lugar em janeiro de  2013, muito provavelmente em um dos países referência do despertar das resistencias no mundo árabe.

O Fórum Social Temático em Porto Alegre tem o duplo objetivo de fazer um  balanço deste ano indignado e preparar a Cúpula dos Povos Río+20, de 18 a 23 de junho de 2012, no Río de Janeiro em função da Cúpula das Nações Unidas Río+20, vinte anos depois da Conferência da ONU sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento celebrada nesta cidade. Uma Cúpula dos Povos muito importante para denunciar as falsas soluções do capitalismo verde frente a  crise ecológica global, a falta de vontade dos países mais contaminantes para acabar com a mudança climática e a necessidade urgente de uma mobilização social de massas a favor da justiça climática.

Alternativas e convergencias

São centenas as atividades que acontecerão nestes dias em Porto Alegre, precisamente, a cidade que viu nascer o Fórum Social Mundial, onze anos atrás. E as temáticas abordam todo o espectro imaginável de alternativas sociais, econômicas, culturais… e das resistências ao capitalismo global. Desde propostas de educação popular, passando por iniciativas de economia cooperativa, a favor da soberania alimentar, alternativas feministas, experiencias contra a privatização dos serviços públicos, de denúncia da economa verde, entre muitas outras. Também  o Fórum Social Temático conta, como como acontece no FSM, com um Acampamento Intercontinental da Juventude, que acolherá atividades e reuniões de trabalho específicas.

Mas este Fórum Social Temático não vai resultar somente em um palco de debates e propostas contra-hegemôicas mas sim se dá muito  peso ao trabalho de debate e a convergência entre os distintos movimentos sociais participantes. Deste modo, foram criados 16 Grupos Temáticos que desde algumas  semanas e mais estes dias trabalham  para buscar pontos em comúm em uma agenda a favor da justiça social e ambiental que deve desembocar na Cúpula dos Povos Río+20. Read the rest of this entry →

Hoje às 11h50min, Gov @TarsoGenro e Cesare Battisti encontraram-se no Palácio Piratini #FST2012 0

Posted on January 24, 2012 by Everton Rodrigues
PORTO ALEGRE, RS, BRASIL: Governador Tarso Genro cumprimenta Ex-ativista italiano Cesare Battisti. Foto: Caroline Bicocchi/Palacio Piratini

PORTO ALEGRE, RS, BRASIL: Governador Tarso Genro cumprimenta Ex-ativista italiano Cesare Battisti. Foto: Caroline Bicocchi/Palacio Piratini

Os principais protagonistas do recente e finalizado processo diplomático entre Brasil e Itália, o ativista italiano Cesare Battisti e o Governador Tarso Genro encontraram-se, hoje por volta das 11h50min no Palácio Piratini.

Battisti, agora reconhecido como refugiado político, foi trazido pelos movimentos sociais, e participa do Fórum Social Temático para lançar seu novo romance “Ao Pé do Muro”. O livro será lançado no dia 26 de janeiro.

Espero encontrá-lo na marcha de abertura do FST.

“Como mudar o mundo?” Por Esther Vivas 0

Posted on January 20, 2012 by luciouberdan

Como mudar o mundo? Esta é a pergunta que se fazem milhares de pessoas empenhadas em mudar as coisas, a pergunta que se repete frequentemente nos encontros sociais alternativos… uma pergunta que como bem dizia o filósofo francês Daniel Bensaïd não têm resposta porque “Não nos enganemos, ninguém sabe como mudar o mundo”. Não temos um manual de instruções mas sim temos algumas pistas de como fazê-lo e algumas hipóteses de trabalho.

A luta na rua e nos movimentos sociais é a primeira premissa, já que não haverá mudanças espontâneas desde cima. Aqueles que hoje ostentam o poder não renunciarão sem mais a seus privilégios. Qualquer processo de mudança será fruto da tomada de consciência dos de baixo e do combate para recuperar nossos direitos desafiando desde a rua os que mandam. Assim demonstra a história.

Mas também é necessário construir alternativas políticas que avancem mais além da mobilização social, já que não podemos limitar-nos a ser um lobby daqueles que mandam. É necessário ser capaz de propor opções políticas alternativas antagônicas às hoje dominantes e que tenham seu centro de gravidade nas lutas sociais. Sendo muito conscientes de que o sistema não se muda desde dentro das instituições mas sim desde a rua, mas que não podemos renunciar a espaços que também nos pertencem.

Hoje as instituições estão sequestradas pelos interesses privados e do capital. Uma minoria social, que é a que detém o poder econômico, está totalmente sobre representada nas mesmas e conta com o apoio incondicional da maior parte de quem ostenta cargos eletivos. A dinâmica de ‘portas giratórias’: aqueles que na atualidade estão nas instituições e amanhã nos conselhos assessores das principais empresas do país é uma constante e uma realidade. Nos apresentam a ideologia neoliberal como socialmente dominante… e isto é falso. E por isso pensamos que vocês anti-capitalistas e anti-sistema seriam úteis nas instituições rompendo com o discurso político hegemônico. Demonstrando que “outros mundos” são viáveis e que “outra prática política” é tão possível como necessária.

Há que avançar em ambas direções e subordinar esta última a primeira, criando mecanismos de controle de baixo para cima e aprendendo com os erros do passado tanto da esquerda política como social. Partindo de que ninguém tem verdades absolutas, de que o processo de mudanças será coletivo ou não será, de que há que aprender uns com os outros, de que é necessário trabalhar sem sectarismos nem seguidismos e que frequentemente os rótulos separam mais que unem. Sem por isso cair em relativismos nem em renúncias ideológicas. Seguramente estas sejam as lições mais difíceis: romper com o domínio moral e ideológico do sistema capitalista e patriarcal.

E como mudar o mundo não é coisa de dois dias… mas sim que é uma tarefa de longo percurso, se requer constância, perseverança e de uma “lenta impaciência”, como assinalava de novo Daniel Bensaïd, é necessário ir avançando em nossas utopias desde o cotidiano em paralelo a mobilização social contra as políticas atuais e em defesa de outras medidas. Modificando o mundo em nosso dia a dia. Demonstrando com nossa prática que “outra maneira de viver” é tão possível como desejável. Alternativas desde a economia cooperativa e autogestionária, o consumo crítico e agroecológico, as finanças éticas, os meios de comunicação alternativos… são iniciativas imprescindíveis para caminhar até outro modelo de sociedade.

Sendo conscientes de que estas não são um fim em si mesmo mas sim um meio para avançar sem perder de vista um horizonte de sociedade mais justa e equitativa para todas e todos. Apostar por uma economia solidária no dia a dia e reivindicar também uma economia fiscal progressiva, que os que mais têm paguem mais, que se eliminem as SICAV, se combata a fraude fiscal; construir projetos agroecológicos e trabalhar também para que se proíbam os transgênicos, a favor de um banco público de terras; ter nossas poupanças em uma cooperativa de crédito mas reivindicar um sistema bancário público a serviço dos de baixo. O caminho se demonstra andando e não podemos esperar amanhã.

Ainda que não esqueçamos que uma mudança de modelo social requer a mobilização consciente da maioria da população e um processo de ruptura com o atual marco institucional e econômico. A irrupção da “revolução” no panorama político, a raiz das revoluções de Túnez e Egito, a pesar de suas debilidades e limites, é por isso uma magnífica e inesperada notícia que nos deparamos neste 2011.

Assim mesmo temos que situar nosso papel no mundo e o impacto de nossas práticas no ecosistema. Vivemos em um planeta finito, ainda que o sistema capitalista se encarregue de que nos esqueçamos frequentemente disso. Nosso consumo tem um impacto direto ali onde vivemos e se todo o mundo consumir como fazemos aqui um só planeta não bastaria. Mas igualmente nos estimulam a um consumismo desenfreado e compulsivo, prometendo-nos que quanto mais consumo mais felicidade, ainda que a promessa depois nunca se cumpra. Há que começar a propor que talvez possamos “viver melhor com menos”.

De todos modos, nos querem fazer culpados da práticas que nos impõem. Nos dizem que vivemos em uma sociedade consumista porque as pessoas gostam de comprar, que existe agricultura industrial e transgênica porque assim queremos… mentira. Nosso modelo de consumo se baseia na lógica de um sistema capitalista que produz mercadorias em grande escala e que necessita que alguém as comprem para que o modelo siga funcionando. Nos querem fazer cúmplices de políticas que somente eles se beneficiam. Afortunadamente o mito do mais e melhor começou a romper-se. A crise ecológica que vivemos acendeu as luzes de alarme e sabemos que esta crise climática tem suas raízes em um sistema produtivista e de curto prazo.

Hoje uma onda de indignação recorre a Europa e o mundo… rompendo o ceticismo e a resignação, que durante anos tem prevalecido em nossa sociedade, e recuperando a confiança en que a ação colectiva serve e é útil para mudar a atual ordem das coisas. Aprendemos da Primavera árabe, do “não pagaremos sua dívida” do povo islandes, do levante popular, greve geral após greve geral, na Grécia e agora o grito de Occupy Wall Street no “coração da besta” que assinala que frente ao 1% que manda somos o 99%. Os tempos se comprimem e se aceleram. Sabemos que podemos.

*Esther Vivas é co-autora de “Resistencias globales. De Seattle a la crisis de Wall Street”, entre outros livros. Artígo publicado na revista Iglesia Viva.
Tradução: Paulo Marques.

+info: http://esthervivas.wordpress.com/portugues

Porto Alegre e o desafio de fazer evoluir a democracia participativa direta 0

Posted on January 19, 2012 by Everton Rodrigues

Everton Rodrigues (@GnuEverton) (*)

Uma reivindicação começou a ser posta em prática há 24 anos em Porto Alegre e foi sendo construída ao longo de quatro gestões consecutivas (1989 a 2004) do PT frente à prefeitura da capital. O Orçamento Participativo e os conselhos municipais ajudaram a construir uma experiência de democracia participativa direta, uma democracia real que se tornou referência internacional. A cidade tornou-se berço do Fórum Social Mundial. Fazer essa experiência evoluir é um desafio permanente. Hoje, tanto os movimentos árabes pela democracia, como Ocupa Wall Street nos EUA e os “indignados” da Espanha também apontam as limitações e insuficiências da democracia representativa e defendem uma democracia real. A democracia liberal está em crise e o capital financeiro restringe o exercício da própria democracia representativa.

As experiências de democracia participativa em momento algum se propuseram a substituir a democracia representativa, mas sim aperfeiçoar os mecanismos de decisão de interesse público possibilitando a participação direta da população, superando todas as críticas que tentaram colocar um modelo de democracia contra o outro. Da mesma forma, nossos processos de participação digital não podem substituir fóruns de participação presencial, espaços estes formadores da consciência cidadã e de estímulo dos valores socialistas e da solidariedade.

O processo de democracia participativa, o Orçamento Participativo, juntamente com os conselhos municipais em Porto Alegre, somente foram possíveis a partir da disposição da população e também da demanda dos movimentos sociais e populares organizados, partidos políticos de esquerda e gestores públicos, que construíram as regras da participação e foram modificando-as ao longo do tempo. Mas quais são os próximos passos para fazer essa prática avançar?

Hoje, entre outras possibilidades, a internet aparece como uma ferramenta poderosa para ampliar e aprimorar a participação presencial (OP e conselhos temáticos e setoriais). Ela pode qualificar a transparência e a mobilização popular para os fóruns presenciais a partir da nossa experiência de participação em Porto Alegre.

Após a participação direta da população nas assembleias públicas do OP e nas conferências temáticas e setoriais de tomadas de decisões das prioridades das políticas públicas, a internet e os meios digitais podem cumprir uma papel extraordinário para agilização de informação, elaboração dos planos de investimentos e serviços, prestação de contas entre o governo e os fóruns de conselheiros, delegados e população em geral.

Os meios digitais também oferecem condições para a gestão democrática e participativa dos serviços públicos nas áreas da saúde, educação, gestão ambiental, limpeza urbana entre outros, que possuem recursos consideráveis e que os cidadãos podem interagir durante a prestação dos serviços numa via de duas mãos, governo e sociedade, com resultados para a melhoria dos serviços e da transparência. Para isto, este processo não pode ser somente consultivo, pois ele deve construir sistemas de participação de rede digital e presencial onde as pessoas possam praticar a cogestão entre governo e população.

Da mesma maneira que o Orçamento Participativo aperfeiçoou o sistema democrático, as ferramentas digitais oferecem condições para criar um processo de democracia em rede, conectado a ambientes interativos permanentes (participação digital) e integrado ao sistema de democracia participativa presencial.

Sem as facilidades de acesso, armazenamento e compartilhamento do “mundo digital”, muitas vezes os inúmeros fóruns presenciais repetem debates, sem considerar o acúmulo e a memória de discussões já realizadas em outros espaços. Um debate presencial repetitivo torna seus fóruns desestimulantes. Além disso, a complexidade e o caráter polêmico de certos temas podem estender os debates por horas ou dias, sem garantir espaço para que todas as posições se manifestem. A “vida corrida” também impede inúmeras pessoas de participarem dos fóruns presenciais.

É necessário envolver diferentes atores no ato de pensar a emancipação, através de ambientes de participação em rede. Um sistema de participação digital, se construído de forma colaborativa com a sociedade e integrado a um sistema de participação popular presencial, evoluirá para um sistema de participação em rede, que facilitará a mobilização da inteligência coletiva social também através da internet. Assim, todas as cidadãs e cidadãos que possuem algum tempo disponível em períodos diferentes dos fóruns presenciais também poderão participar dos debates, assim como interagir com participantes das instâncias presenciais, e os debates poderão ser continuados, aprofundados e sistematizados através da rede, qualificando e otimizando o tempo das reuniões presenciais.

As ferramentas digitais devem também ser capazes de segmentar os perfis dos participantes dos debates com a finalidade de aproximar pessoas e coletivos com interesses semelhantes, para que se comuniquem, criem e fortaleçam suas redes e também para os gestores públicos estabelecerem uma comunicação adequada de acordo com o interesse dos cidadãos.

Obviamente, muita coisa precisa ser feita para tornar esse objetivo realidade. As classes C e D possuem índices baixos de acesso apropriado à rede. Por isso, é necessário desenvolver um projeto de inclusão digital como parte do sistema de participação em rede, que ofereça banda larga gratuita de qualidade a todas as regiões da cidade e pontos de acesso público (laboratórios das escolas, lan houses, telecentros e pontos de cultura).

Mesmo com todos os limites da experiência do OP em Porto Alegre (que inspirou e foi modelo para centenas de experiências no mundo todo), é um exemplo a ser considerado em qualquer nova experiência de participação, justamente pela sua capacidade de gerar consciência política, e por ele próprio ser um projeto pedagógico educacional para a cidadania.

Em nenhuma pesquisa de comportamento dos brasileiros nas mídias digitais consta qualquer percentual sobre o uso das redes sociais para o debate político, sobre políticas públicas, governos, e muito menos sobre participação. Diante disto, um sistema de participação em rede (integrando processos presenciais e digitais) deve também contar com um projeto pedagógico de cidadania digital para ampliar a percepção das potencialidades das novas tecnologias da informação. Assim, os instrumentos interativos digitais serão capazes de aumentar as contribuições e o envolvimento de cidadãs e cidadãos em rede (no presencial e no digital) de forma complementar e contínuo para o desenvolvimento e qualificação das políticas públicas.

A participação direta é uma das principais formas de combater a alienação para promover uma cultura social solidária e justa, por isso, deve ser considerada um bem comum, que todas as instituições comprometidas com a democracia real devem construir e fortalecer. Precisamos combinar/articular diferentes pontos entre si, tais como: inclusão digital, banda larga, formação para cidadania digital, conexão com os existentes fóruns presenciais, software livre, dados abertos e ferramentas que facilitem pessoas com interesses comuns aproximarem-se também através da internet, para assim desenvolvermos um projeto de participação em rede. Levantei alguns que podem servir ao menos para iniciarmos o debate e reflexões sobre o tema, ainda pouco discutido de forma coletiva e participativa.

(*) Com colaborações de Eliane Silveira, Carlos Rosa, Ubiratan de Souza e Marco Weissheimer.

Brasil Autogestionário no FST 2012: “Movimentos sociais, política e revolução no século XXI” 0

Posted on January 18, 2012 by luciouberdan

O Brasil Autogestionário inscreveu uma mesa no FST 2012, ”Movimentos sociais, política e revolução no século XXI”, será dia 27 de janeiro, 13h, na Assembléia Legislativa.

Abaixo a apresentação da proposta.

Brasil Autogestionário no Fórum Social Mundial Temático – Porto Alegre janeiro de 2012

O Coletivo Brasil Autogestionário que coordena o site www.brasilautogestionario.org, participará da cobertura do FSM Temático realizado em Porto Alegrede24 a29 de janeiro de 2012. Nossa participação se dará a partir da cobertura das principais atividades do fórum, publicação de artigos relacionados aos temas centrais, reprodução de reportagens dos meios alternativos de comunicação, entrevistas especiais com militantes dos movimentos sociais, intelectuais de esquerda  e convidados nacionais e internacionais, informações sobre agendas e realização de um Seminário Internacional:

Seminário Internacional  do BA

Caminhos e estratégias: Movimentos Sociais, política e revolução no século XXI.

 Apresentação do Seminário Internacional:

 Neste mês de janeiro Porto Alegre será sede de mais uma edição do  Fórum Social Mundial. Este será um FSM temático que terá como pauta  central  a crise capitalista e o meio ambiente, a idéia é  antecipar os debates estratégicos da  II Conferềncia Mundial do Meio Ambiente, a Rio +20 a ser realizada em junho deste ano.

Este  FSM também  tem a especificidade de ser realizado em um cenário marcado pela maior crise do sistema capitalista dos últimos anos e a emergência de uma nova onda de protestos globais antisistêmicos. Iniciada nos países do norte da África a chamada “a primavera árabe” levou ao colapso as diversas oligarquias opressoras que a décadas oprimiam seus povos como na Tunísia Egito, Síria, Líbia.

Também no coração das economias capitalistas mais avançadas surgem os  “indignados” na Espanha, na Grécia, Itália, França  e o movimento Ocupem Wall Street(OWS) nos EUA. Malgrado as diferenças entre estes diferentes movimentos de protesto,  alguns elementos são comuns como a crítica ao modelo econômico e a política “realmente existente”, ambas voltadas única e exclusivamente para   os interesses dos 1% que dominam o mundo, ou seja, instituições financeiras e grandes corporações. Outros dois  elementos de identidade é a predominancia   da juventude como  protagonista principal e o  uso das redes sociais como instrumento de mobilização que prescinde das formas tradicionais  de organização como os partidos, mesmo aqueles que se auto intitulam antissistemicos.

Esse último elemento talvez seja o mais debatido entre os analistas, ou seja, estamos presenciando uma crise de carácter fundamentalmente político,  no qual as principais instituições da democracia representativas como o “partido” e os parlamentos estão sendo colocados em xeque?

Sem dúvida esta pergunta estará presente em mais esta edição do FSM. Surgido como espaço inovador dos novos movimentos sociais no bojo dos protestos anti-globalização contra  as grandes instituições financeiras como a OMC/FMI e Banco Mundial, e expressa na revolta de Seattle em 1999, o FSM adquiriu força como espaço de reflexão dos movimentos alter-globalização de todo o mundo, reflexão tanto sobre alternativas ao capitalismo como sobre o próprio papel das esquerdas, suas estratégias e instrumentos com perspectiva transformadora.

Em uma época de hegemonia do pensamento único neoliberal, o FSM surgia como o contraponto do pensamento alternativo, antisistêmico, que afirmava a possibilidade de construção de um outro mundo possível. Protagonizado por entidades não-governamentais, o FSM sempre teve em sua pauta os dilemas e contradições da relação movimentos-partidos de esquerda-governos de esquerda, uma realidade que se aprofundou com o giro à esquerda de vários países da América Latina nos últimos 6 anos.

Passada uma década do primeiro FSM,  o outro mundo possível ainda permanece como pauta estratégia dos movimentos sociais antisistêmicos. Das revoltas árabes aos indignados e occupas, o termo “outro”, para referir-se a alternativas no campo economico e político é a demonstração que não há ruptura entre um período ou “onda” de protesto global e outro, o que há é sim novas formas de luta na busca da construção deste “outro” que ainda não chegou. E uma das questões centrais é como construir este outro mundo, quais os instrumentos para isso , não será necessário, talvez,  um outro modo de fazer política?

Esse tema ainda é pouco discutido na América Latina, o cenário de avanços das esquerdas na institucionalidade fez com que  a agenda do desenvolvimento capitalista de tipo neoliberal sofresse importantes  derrotas políticas, inaugurando uma agenda neo-desenvolvimentista para o capitalismo. O que, portanto,  não diminuiu a força do capitalismo, ao contrário, o revigorou, mantendo assim todas as contradições intrínsecas do sistema. Entretanto, é a esquerda que leva adiante essa agenda, o que torna muito complexo a relação com a estratégia de superação do sistema capitalista. A questão é , os partidos tradicionais da esquerda latinoamericana ainda têm perspectiva antisistêmica? É no centro destas contradições que encontramos as esquerdas (no plural) tanto aquelas que assumem governos como aquelas que privilegiam a ação nos movimentos sociais.  Os agudos conflitos da agenda ambientalista com a agenda neo-desenvolvimentistas parece ser bem mais profundos que os conflitos da social democracia com os neoliberais. Isto porque é uma disputa no mesmo campo.

Poderíamos falar também de uma crise de perspectivas das esquerdas na medida em que se de um lado temos a pior crise do sistema de outro não se visualiza um projeto concreto de substituição desse sistema por outro. Os partidos “tradicionais” da esquerda são colocados em xeque pelos movimentos, e os movimentos são questionados pelos partidos de esquerda por sua incapacidade de elaborar programas e projetos.  Afinal, será possível pensar em uma estratégia de acumulação de forças antisistêmicas que ao mesmo tempo realize a crítica e tenha capacidade de construir o “novo”, o “outro” mundo possível não capitalista? Quais os caminhos? quais os instrumentos? Quem serão os protagonistas? Até que ponto as teorias revolucionárias do século XIX respondem aos desafios do século XXI? Teremos que criar novas teorias? Novas Práticas?

É com o objetivo de contribuir com esse debate que o  Coletivo Brasil Autogestionário realizarão  Seminário Internacional  Caminhos e estratégias: Movimentos Sociais, política e revolução no século XXI.

O Seminário pretende a partir do debate com representantes de movimentos sociais, intelectuais e lideranças de partidos de esquerda discutir os movimentos sociais hoje, as possibilidades de uma nova práxis política e os  caminhos para uma estratégia que tenha como objetivo o resgate do conceito de revolução social como elemento fundante do outro mundo possível.

Programação final do Fórum Social Temático (POA/RS) de 25 a 29/01 0

Posted on January 18, 2012 by luciouberdan

Construindo a democracia Real: democracia participativa e ferramentas digitais #FST2012 0

Posted on January 18, 2012 by luciouberdan

Hoje, a Democracia Real é um dos principais temas das reivindicações pelo mundo afora, desde a chamada “Primavera Árabe”, do movimento Ocupa Wall Street nos EUA , dos “indignados” da Espanha, entre outros. Movimentos que surgem como resposta as imposições do sistema financeiro, que beneficiam uma minoria, promovendo um verdadeiro sequestro da democracia.
Mas afinal, qual é a democracia real queremos construir? Para além do discurso, somente será construída a partir de um projeto que permita realizar experiências concretas, e que supere a ideia de consulta, e permita que os processos participativos sejam soberanos e os cidadãos participantes possam deliberar sobre os recursos financeiros públicos e prioridades das políticas públicas. Como construímos este processo?

De que forma os serviços públicos podem contar com a participação democrática e ativa da população? É possível a partir das ferramentas digitais e da participação popular presencial construirmos uma democracia em rede, que facilite a mobilização coletiva? Como envolver cidadãs e cidadãos que possuem algum tempo disponível em períodos diferentes dos processos presenciais, nos debates? Como promover interatividade entre participantes das instâncias presenciais (como o Orçamento Participativo) e cidadãos através da internet? Como democratizar a gestão dos serviços públicos através das ferramentas digitais?

Estes e outros questionamentos que estarão no centro do debate “Construindo a democracia Real: democracia participativa e ferramentas digitais”. No dia 26/01, no SindBancários.

Grandes Encontros da Economia Solidária – Rio Grande do Sul – 08, 09 e 10 de Novembro 1

Posted on November 06, 2011 by luciouberdan

Grandes Encontros da Economia Solidária – Rio Grande do Sul – 08, 09 e 10 de Novembro.

Dia 8 de Novembro:

Do passado, no presente, projetando o futuro.Encontro dos empreendimentos da Economia solidária do RS, para avaliar os rumos de nossas ações e aprofundar as estratégias de organização que fortaleçam os empreendimentos na perspectiva da outra economia.

Dia 9 de Novembro:

Economia solidária: Mulheres transformando a América Latina, para analisar, discutir, aprofundar e avaliar as ações desenvolvidas pelas mulheres da economia solidária, que são empreendedoras, cuidam do local, projetam suas ações, estão no coletivo e constroem apartir dos laços amplos essa economia que transforma a América Latina.

Dia 10 de Novembro:

Economia solidária: Estratégia de Desenvolvimento, apresentar para toda a sociedade a diversidade das experiências de desenvolvimento promovidas pela Economia solidária, desde Mondragon, America Latina, Brasil e RS. Provocar a sociedade para que incorpore essa nova estratégia de distribuição de renda, assim como provoque para a mudança de paradigmas e de posturas perante a produção e o consumo.

Coordenação Nacional do FBES define temas da V Plenária Nacional de Economia Solidária 0

Posted on November 03, 2011 by admin

Durante a X Reunião da Coordenação Nacional do FBES, ocorrida entre 18 a 20 de agosto em Brasília, além do balanço político do último triênio, junto as linhas de ação do FBES, ocorreu a definição dos temas da V Plenária Nacional de Economia Solidária.

Acesse a ata Aqui.

Com relação aos temas da V Plenária foram definidos as seguintes dimensões:

- Orientação política do movimento: questões de fundo para fortalecimento do horizonte político de transformação social e identidade do movimento de Economia Solidária

- Orientação das ações do movimento: além do debate de fundo, que aprofunda o recorte e horizonte político do movimento, é preciso discutir questões, problemas, pautas e reivindicações concretas para dar respostas às necessidades dos atores e atrizes que fazem a Economia Solidária na base

- Organicidade do movimento: no fortalecimento dos Fóruns Estaduais, sustentabilidade e autonomia do movimento, articulação com os demais movimentos sociais, tanto nacionais quanto internacionais.

Via Fernanda Nagem no Cirandas.



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